Quanto Cobrar por Hora como PJ ou Freelancer (Com Exemplo)

O erro mais comum de quem sai da CLT para o PJ é pegar o salário antigo, dividir pelas horas do mês e cobrar isso. A conta parece lógica, mas esquece quase tudo que muda quando você trabalha por conta própria.

O que a conta do salário esquece

  • Férias, 13º e FGTS. Na CLT a empresa pagava. Como PJ, ou você embute no preço, ou fica sem.
  • Feriados e dias parados. Doente ou de folga, ninguém paga sua hora.
  • Horas que não são faturadas. Atender cliente, fazer orçamento, emitir nota, cobrar e estudar tomam boa parte da semana.
  • Custos do negócio. Contador, softwares, equipamentos, internet, plano de saúde.
  • Impostos. No Simples Nacional a alíquota efetiva começa em 6% no Anexo III e em 15,5% no Anexo V, e sobe com o faturamento.

Exemplo com números

Suponha que você queira R$ 120.000 líquidos por ano (R$ 10 mil por mês). Seus custos somam R$ 18.000 por ano e os impostos levam 15% do faturamento. Você trabalha 40 horas por semana, 65% delas faturáveis, tira 4 semanas de férias e conta 12 dias entre feriados e dias parados.

A calculadora de valor hora faz a conta assim:

  • Semanas trabalhadas: 52 − 4 − 2,4 = 45,6
  • Horas faturáveis no ano: 45,6 × 40 × 65% ≈ 1.186
  • Faturamento necessário: (R$ 120.000 + R$ 18.000) ÷ 0,85 ≈ R$ 162.353 por ano, ou R$ 13.529 por mês
  • Valor mínimo por hora: R$ 162.353 ÷ 1.186 ≈ R$ 137

Pela conta do salário (R$ 10 mil ÷ 160 horas), você cobraria R$ 62,50 — menos da metade do necessário. Trabalhando cheio, terminaria o ano bem longe da renda que planejou.

Use como piso

Esse valor é o mínimo para o negócio se sustentar, não necessariamente o seu preço. O mercado paga conforme nicho, experiência e resultado entregue — e muita gente passa a cobrar por projeto quando conhece o próprio piso. Na hora de reajustar, a calculadora de porcentagem ajuda a fazer as contas.

Regras tributárias mudam e dependem da sua atividade. Confirme o seu regime e alíquota com um contador.

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